terça-feira, 28 de julho de 2009

Leva meu Corpo

Os meus pensamentos são levados pelo vento
A cada segundo, a cada segundo
Voam, voam para bem longe.
Longe do meu entendimento, longe da minha força
Para longe dos sentimentos, das emoções.
Para um lugar escuro onde reina o medo e a solidão
Não sei o nome desse lugar nem o tenciono saber
Mas a tristeza invade minh'alma.
Procuro respostas para as certezas que nunca tive
Certezas que já não são verdades
Busco-me, por entre o cair das folhas do nobre sobreiro
Que me observa a vaguear pelo vazio, cheio de vazio
Silenciosamente procuro-me na maré alta, e na baixa
Nos cheiros e sabores da minha gente
Pelos caminhos que muitas vezes percorri
E percorro, e continuarei a percorrer,
Agora vazio, inundado de um infino vazio
Minh'alma está perdida, mas não sozinha
Com ela está o meu espírito
Os meus pensamentos a ela estão amarrados
De agora em diante o meu corpo não terá sentido.
Não consigo pensar nem amar nem chorar nem,
Nem consigo morrer.
Não consigo morrer.
Será o homem tão fraco, que nem morrer consegue?
Para encontrar minh' alma terei de morrer
Para me salvar terei de morrer
Oh vida cruel que os teus filhos levas sem pedires licença
Que lhes roubas o sentido daquilo a que chamam vida
És cruel e rude.
Vida madrasta
Leva-me.
Tira-me este sufoco, esta angustia
Acaba o trabalho que há muito começaste
Leva meu corpo. Leva meu corpo.

2 comentários:

  1. Tá bonito......mas um bocadinho desesperante....

    Prefiro que a tal da vida madrasta me leve os pensamentos menos bons....do que me leve o corpinho...pk ainda há tanto p fazer por aqui....

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  2. Parabens pela escrita...consegues (se é o que pretendes ou não, pouco importa) transmitir o desespero e a frustração que por vezes nos assolam de modo angustiante.
    Somos tão "nada" que conseguir exprimi-lo se torna um conforto para quem te lê.

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