Estou aqui, perdido nesta imensidão de nada, desgarrado de tudo o que perturba o meu ser, a minha integridade, o meu ânimo. Sempre que afundo e a minh’alma naufraga, o meu pensamento sucumbe. Incessantemente procuro o trilho ideal para conduzir o meu cadáver, que por consequência levará o meu intimo a viajar para longe, bem longe. Por vezes a escolha da estrada é errada e o resultado disso é mais um desapontar, uma crença falhada. Seguir em frente aqui não é solução, em frente significa o caminho errado. Viro à esquerda, à direita, volto a trás. Novamente em frente. Neste lugar são inúmeras as escolhas que poderia tomar. Por mais que a escolha seja a correcta, serei sempre conduzido para o fundo. Estou condenado a viver amargamente entristecido por esta sorte. Ironicamente ou não, na verdade, não quero ser feliz, nem andar jubiloso pelas ruas, ficar radiante por amar, observar uma borboleta resplandecendo o seu encanto, alegrar-me com o canto das aves, por abraçar a vida. Não quero. Ser feliz não é prioridade. Trás preocupações e, como num ciclo vicioso, são inúmeros os sentimentos que a estas afluem. Não quero o caos nem a desordem, não à confusão nem à balbúrdia sentimental. Quero a vida assim, simples, triste mas simples. Estou aqui, perdido nesta imensidão de nada, desgarrado de tudo o que perturba o meu ser…
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Mais um belíssimo texto com o qual me identifico, com o qual todos nós nos identificamos um dia ou outro.
ResponderEliminar"Não quero o caos nem a desordem, não à confusão nem à balbúrdia sentimental. Quero a vida assim, simples, triste mas simples."
Brilhante.