domingo, 2 de agosto de 2009

Hoje pensei escrever

Hoje pensei escrever um poema. Depois de tanto meditar, quiçá reflectir, nada rabisquei. Não sou um grande poeta, ou um grandioso escritor, muito menos um autor de pomposas obras. O que daqui sair não é fruto de inspiração, nem se deve a uma musa que me prende o fôlego ou me dá ânimo nos dias mais cinzentos. Escrevo quando estou triste, quando estou alegre, escrevo quando estou indiferente a tudo, a todos. Sou um simples mortal, que embora vivo, morreu para a morte. Se calhar hoje não vivo, apenas sou uma criatura vivente, que simplesmente subsiste ao infortúnio da existência, que se tornou na minha permanência, neste mundo de ausência, marcado pela existência de rimas em total decadência. Por vezes procuro a palavra certa, o parecer verdadeiro acerca do mundo, desde que o mundo se tornou mundo e eu me tornei eu, a expressão que exprima o meu ego. Sou um indivíduo com uma certa individualidade, uma identidade que me identifica. Na pluralidade das circunstâncias não sou aquilo que anseiam que seja, nem serei o que não tencionam que venha a ser. O ente que desejavam fitar, sucumbiu. Há quem insista em proferir que sou uma espécie de muralha, que enfrenta perigos de toda a sorte e é inabalável. Eu digo o contrário, sou atingível, e também gozo de algumas derrotas. Essas são uma pequena fracção da vida, da existência. São essas contrariedades que acontecem ao longo da nossa actividade por este mundo que faz com que acreditemos que tudo pode ser melhor. Termino aqui, bem diferente do que tinha principiado. Mas e daí?

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